António's profileFÁBRICA DE SONHOS - 2009...PhotosBlogListsMore Tools Help

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    August 20

    A fuga <::: António Zumaia :::>

     
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    A fuga
    António Zumaia
     
    É tua ausência que me causa dor;
    Este vazio que sinto no meu peito.
    È meu corpo inerte e sem amor,
    nessa fuga louca do meu leito.

    Essas carícias que me enlouqueciam,
    são o limbo onde vegeto agora.
    Redondos seios que me entonteciam,
    tão esquecidos de mim, nesta hora.
     
    Teu corpo em resquícios de prazer,
    foi templo que a medo penetrei.
    Cantou hino que não vou esquecer,
    porque em loucura, sempre lembrarei.

    Escapas de mim deusa de mil cores,
    em luta imbuída de mistério…
    Não me dás, nem retiras teus favores;
    Cipreste que te oculta o cemitério.

    Sines - Portugal
    19/08/2008

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    August 17

    Minha estrela <::: António Zumaia:::>

     
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    Minha estrela
    António Zumaia
     
    Foi sonho que Deus me deu,
    conhecer essa mulher;
    Foi estrela que apareceu,
    num universo qualquer.
     
    Iluminou minha vida,
    fez amor e esqueceu.
    Que em gemidos perdida,
    para mim tudo me deu.
     
    Os seus beijos enganaram,
    tinham desejos contidos,
    que meus lábios afagaram.
    Foi delírio dos sentidos,
    nos meus braços deflagraram,
    em sentimentos pedidos.
     
    Fiz vida em letras soltas,
    quando nela me encontrei
    e foi nas águas revoltas,
    que de mim tudo lhe dei.
    Nos sentidos tu me escoltas,
    porque és a mulher que amei.

    Perecer é meu destino;
    Até cantar a desdita.
    Nas palavras desatino,
    de uma poesia escrita.
                                       
    Rasgo a vida, quero sonho;
    Na beleza encontrar,
    nos poemas que componho,
    a mulher que vou amar...
     
    Sines - Portugal
    15/08/2008
     

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    August 08

    A verdade mulher <::: António Zumaia :::>

     
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    A verdade mulher…
    António Zumaia
     
    Grita mulher esse desejo amordaçado;
    Esse corpo que é o templo de prazer.
    Que contempla o amor e nos faz viver
    e pelo qual o poeta é enamorado…
     
    Diz se é amor ou prazer o que pretendes,
    desnuda a tua alma e conta a verdade.
    Esse desejo de mim é realidade,
    ou nessa tua nudez… apenas me prendes.
     
    Quero-te verdade nua e sem os véus,
    que me ocultam teus desejos no amor;
    Dá à vida o verdadeiro esplendor.
    Porque dessa verdade nós somos os réus,
     
    porque na poesia te divinizamos…
    De simples mulher, fazemos deusa da vida,
    de fêmea que ama, a mulher perdida;
    É um denso mistério, no qual nós pecamos.
     
    Desnuda esse coração e diz se amas,
    ou tua alma apenas é de mulher…
    Te deleitas no amor, num homem qualquer;
    Espalhando tua beleza, em várias camas.
     
    Ó mulher eu não sei, mas exijo saber;
    Se nesse templo pode existir o amor,
    o meu poema da vida tem o sabor.
    Diz-me mulher… Porque eu necessito viver.
     
    Sem amor, lira e o poema quebrarei;
    Serei vela solta em nau abandonada.
    Rosa bela, que entre os dedos foi esmagada,
    destino meu, mesmo assim em ti entrarei.
     
    Sines – Portugal
    08/08/2008

     

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    August 05

    O fim do poeta… <::: António Zumaia :::>

     
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    O fim do poeta…

    António Zumaia

     

    Perdi-me no triste tempo que passa,
    que avança, mas um dia vai parar…

    Serei a pomba que já não esvoaça,

    quando a minha alma, não mais cantar.

     

    Quando das mãos não sair poesia,

    quando este coração não mais amar,

    doando as cores, que meus olhos reflectia.

    Tudo isto um dia… vai parar.

     

    Os poemas que criei com amor;

    Serão os filhos, que a vós deixarei.

    Neles expressei a vida e a dor,

    no engenho e arte que alcancei.

     

    Não almejei ter alma de poeta.

    O cantar amor, que em mim abrigo,

    fez deste homem o falso profeta

    e foi para mim, doloroso castigo.

     

    Cantar em rimas desnuda a alma.

    Não é arte que nos dê o prazer,

    o poeta a escrever… não se acalma.

    Só está vivo, quem o pode ler…

     

    O poeta morre no seu poema;

    São a morte nunca anunciada.

    Amores e guerras serão o tema,

    na letra viva, vilmente afagada.

     

    Quero amar e não amar ninguém;

    Mas ao ler meus poemas vão pensar,
    que peso na alma, este homem tem;

    Para fazer poesia… e não amar.

    Por isso o poeta é do além,

    somente o homem vai acabar.

     

     Sines - Portugal

     

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    August 03

    Ela a deusa…<::: António Zumaia :::>

     
     
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    Ela a deusa…
    António Zumaia
     
    Ás lusas terras aportou a deusa lua.
    Fez-se o estranho e mau, sonho do trovador.
    Foi-se a névoa diluída, ela ficou nua;
    Num ápice… Foi Olimpo e fez-se o amor.
     
    Mas como deusa elevou-se desta vida,
    seu rasto foi poeira de muito carinho
    e o trovador sem saber, que a tinha perdida;
    Cantou louco. Mas sem saber, estava sozinho…
     
    Na sua lírica perdeu-se abandonado.
    Cantando amores que a todos deslumbraram;
    Já demente via o amor, em todo o lado.
     
    Os deuses maus, que então o aconselharam;
    Nas duras rezas do que seria o seu fado,
    chorar a deusa Lua, que eles profanaram…

    Sines - Portugal 
     10/05/2008
     
     
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