O fim do poeta…
António Zumaia
Perdi-me no triste tempo que passa,
que avança, mas um dia vai parar…
Serei a pomba que já não esvoaça,
quando a minha alma, não mais cantar.
Quando das mãos não sair poesia,
quando este coração não mais amar,
doando as cores, que meus olhos reflectia.
Tudo isto um dia… vai parar.
Os poemas que criei com amor;
Serão os filhos, que a vós deixarei.
Neles expressei a vida e a dor,
no engenho e arte que alcancei.
Não almejei ter alma de poeta.
O cantar amor, que em mim abrigo,
fez deste homem o falso profeta
e foi para mim, doloroso castigo.
Cantar em rimas desnuda a alma.
Não é arte que nos dê o prazer,
o poeta a escrever… não se acalma.
Só está vivo, quem o pode ler…
O poeta morre no seu poema;
São a morte nunca anunciada.
Amores e guerras serão o tema,
na letra viva, vilmente afagada.
Quero amar e não amar ninguém;
Mas ao ler meus poemas vão pensar,
que peso na alma, este homem tem;
Para fazer poesia… e não amar.
Por isso o poeta é do além,
somente o homem vai acabar.
Sines - Portugal