António's profileFÁBRICA DE SONHOS - 2009...PhotosBlogListsMore Tools Help

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    24 September

    És livre poeta

     

    És livre poeta…

     

    Ensaia esse teu voo de liberdade.

    Não te prendas ao terreno, que é o chão;

    Tu és o dono e senhor dessa verdade,

    que as duras grades… é apenas ilusão.

     

    Porque nada nem ninguém te pode prender,

    voa para sempre no sonho que criaste.

    Nesses poemas que ousaste escrever,

    inseres liberdade que edificaste…

     

    Vagueia livre o limite é o horizonte;

    Nunca prendas as tuas asas ao amor,

    nesse sentimento, que a prisão te apronte.

     

    Vai até ao sol e recolhe o seu calor.

    Bebe as águas frescas de divina fonte.

    Ser poeta é… âmago de cruel dor…

     

    António Zumaia

     

    (Soneto Alexandrino)

    12 September

    As vinhas

     

     

     

    As vinhas...

     

    Sofro calado nas vinhas de raiva,

    Calcando aos pés o meu sonho de amor.

    O sumo embriagante, que eu saiba;

    Nunca me poderá causar a dor.

     

    De raízes mergulhadas na terra,

    ergue-se orgulhosa a videira.

    Douram-se as bagas, que o sumo encerra;

    Numa sagaz mostra e verdadeira…

     

    Porque a vida deu… a vida tirou.

    O homem bebeu… mas não acabou;

    Sente no vinho a raiva da vida.

     

    Sei que sou… um homem que já sofreu.

    Vinho que sobrou… mas não se rendeu;

    Porque tu mulher, és minha querida.

     

     

     

    António Zumaia

     

    11 September

    Outono

     

     

     

     

     

    No Outono

     

    As árvores choram no Outono,

    de sólidas lágrimas caindo.

    Como embriagadas pelo sono,

    vão bem lentamente se despindo.

     

    Se o Outono da vida chegou,

    sê árvore de longas raízes.

    Alguém como ela que chorou,

    lágrimas que não são infelizes.

     

    Mas são elas que dão cor à vida,

    numa pintura do chão da rua.

    Mostra-se verdadeira e querida,

    nos troncos belos e toda nua.

     

    Perto se encontra a felicidade,

    nem será longa a sua espera;

    Porque a natureza é a verdade

    e logo nos chega a Primavera.

     

    Bela e vestida vai mostrar,

    a sua exuberante beleza.

    Como todos devemos amar,

    nossa divina mãe Natureza.

     

    António Zumaia

     

    06 September

    Nesse mar

     

     

     

    Nesse mar

     

    Onde enrolo meus desejos.

    Onde espraio o meu prazer.

    Onde sonho com teus beijos.

    Onde encontro o meu viver…

     

    Nesse mar ondeia o sonho;

    Escrito, beijando a areia.

    Que nos meus versos componho,

    a beleza da sereia.

     

    Doce mistério esse mar,

    que reflecte o meu amor.

    Na ânsia de alcançar,

    essa mulher… minha flor.

     

    Nessa onda alterosa,

    vejo lábios para beijar.

    Como é doce e tão formosa,

    a mulher que quero amar.

     

    Seu corpo é meu bailado,

    na mais bela melodia.

    Se o mar nos tem separado,

    faz da saudade… meu dia.

     

    Ruge o mar no meu destino,

    alterosas suas vagas,

    são da vida o desatino,

    distancia onde me afagas.

     

    É meu destino escrever,

    meus versos na fina areia.

    Ser Don Quixote a sofrer,

    pela sua Dulcineia…

     

     

    António Zumaia